Como foi minha posse na Academia Gabrielense de Letras: 7 lições como autora infantil
O dia em que a escrita encontrou reconhecimento
A escrita começa, muitas vezes, de forma silenciosa. Ela nasce em ideias soltas, em anotações rápidas, em histórias que ainda nem têm forma. No início, dificilmente se imagina onde esse caminho pode levar. Mas, em alguns momentos da vida, a trajetória se materializa de forma concreta.
A posse na Academia Gabrielense de Letras, ocupando a cadeira no. 16 do patrono Moacir Santanta, foi um desses momentos. Mais do que uma conquista individual, esse marco representa o reconhecimento de uma jornada construída ao longo de anos entre ciência, educação, literatura e persistência e, como toda experiência significativa, ela trouxe aprendizados que vão muito além da cerimônia.

O que representa uma Academia de Letras?
Antes de falar sobre a experiência em si, é importante entender o papel de uma academia de letras.
Instituições como a Academia Gabrielense de Letras têm como objetivo:
- valorizar a produção literária
- preservar a cultura local e nacional
- incentivar novos escritores
- promover a educação e a leitura
Inspiradas em modelos tradicionais como a Academia Brasileira de Letras, essas academias funcionam como espaços de reconhecimento e também de responsabilidade cultural.
Fazer parte de uma instituição como essa não significa apenas alcançar um título, significa assumir um compromisso com a literatura e com a sociedade.
O dia da posse: entre emoção e significado
O dia da posse é carregado de simbolismo. Cada detalhe, desde o ambiente, os discursos, as pessoas presentes, as vestimentas (palerine) vem reforçar a importância daquele momento.
Mas, para além do protocolo, existe algo mais profundo acontecendo. Existe a consciência de que aquele instante não surgiu de forma isolada.
Ele é resultado de:
- anos de estudo
- dedicação à escrita
- construção de projetos
- conexão com leitores
A cerimônia, nesse sentido marca um reconhecimento de percurso. Nesse caso, não apenas ingressar em uma Academia de Letras mas também ingressar como Membro Fundador, pois foi a primeira cerimônia de posse e a inauguração da nossa AGL.



7 lições da minha posse na Academia Gabrielense de Letras
1. A escrita é construída no longo prazo
Nenhuma trajetória literária acontece da noite para o dia.
A posse reforça algo essencial: escrever é um processo contínuo.
Cada texto, cada projeto, cada tentativa faz parte de uma construção maior.
2. O reconhecimento vem, mas não deve ser o objetivo principal
Ser reconhecida por uma instituição literária é significativo.
Mas a motivação principal não pode ser o reconhecimento.
Ela precisa estar no propósito:
- comunicar
- educar
- transformar
3. A literatura infantil tem um papel essencial na sociedade
Muitas vezes subestimada, a literatura infantil é uma das áreas mais importantes da produção literária.
É na infância que:
- hábitos de leitura são formados
- valores são construídos
- a imaginação é desenvolvida
Esse reconhecimento reforça a relevância desse campo.
4. Ciência e literatura podem (e devem) caminhar juntas
Uma das bases do trabalho desenvolvido é a integração entre ciência e narrativa.
A experiência reforça que é possível:
- traduzir conceitos científicos
- tornar o conhecimento acessível
- despertar curiosidade
A literatura pode ser uma ponte entre o conhecimento acadêmico e o público infantil.
5. O caminho do autor é coletivo, não individual
Embora a escrita seja um ato solitário, a trajetória não é.
Ela envolve:
- leitores
- professores
- instituições
- eventos literários
A posse evidencia que nenhum caminho é percorrido sozinho.
6. Representar a literatura é também uma responsabilidade
Fazer parte de uma academia implica compromisso.
Não apenas com a própria produção, mas com:
- incentivo à leitura
- valorização da cultura
- formação de novos leitores
7. Cada conquista abre novos caminhos
A posse não é um ponto final.
Ela amplia possibilidades.
Traz novas oportunidades de atuação, novos projetos e novos desafios.
A importância da representatividade na literatura infantil
Outro ponto relevante dessa conquista está na representatividade.
Autores que trabalham com educação, ciência e meio ambiente ocupam um espaço fundamental na formação das novas gerações.
A presença em instituições literárias amplia a visibilidade desses temas e fortalece sua relevância.
Entre a conquista e o propósito
Um dos principais aprendizados dessa experiência é entender que conquistas não são pontos de chegada.
Elas são momentos de transição. Mas, acima de tudo, reforça o propósito que sempre esteve presente: usar a escrita como ferramenta de educação e transformação.
Conclusão
A trajetória de uma autora infantil é construída em camadas. Entre ideias, projetos, desafios e conquistas, o que permanece é o compromisso com aquilo que se deseja comunicar. A posse na Academia Gabrielense de Letras é um marco importante. Mas é, sobretudo, um lembrete de que a escrita continua e que ainda há muitas histórias a serem contadas.

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Crix D’Oliveira é Bacharel em Ciências Biológicas, Licenciada em Educação Profissional e Tecnológica, Mestre e Doutora em Ciências Biológicas com dois estágios de pós-doutorado. Escritora e ilustradora de livros infantis e infantojunveins e criadora do portal Ciência e Nanquim. Além disso é membro fundador da Academia de Letras de São Gabriel.
